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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sabedoria vem com o tempo

A chegada da idade é uma coisa que na grande maioria das vezes todos vemos com maus olhos, pois vem acompanhada de um monte de coisas ruins: pressão alta, visão ruim, cansaços frequentes, dores espalhadas por todo o corpo, remédios pra uma série de doenças comuns quando o tempo começa a bater à nossa porta. Mas o que ninguém dá muita bola é o quanto ganhamos em “sabedoria”, paciência e tolerância com o passar do tempo. A gente acaba, meio que sem querer, aprendendo o que é e o que não é importante, com o que precisamos ou não "queimar nossos neurônios". Esse tipo de experiência não está disponível à venda em nenhuma loja, não se ganha de graça e o preço, apesar de, a princípio, parecer alto, vale muito a pena, pois aprendemos a não esquentar com o que ou quem não merece, a saber quando devemos tomar as rédeas e quando o melhor a se fazer é deixar a maré nos levar.



Talvez ainda falte muito pra adquirir metade de toda essa sabedoria que falo aqui, mas percebo que aos poucos, com tudo que vamos passando ao longo da vida (no dia-a-dia mesmo), algumas coisas que antes pareciam insolúveis vão se tornando corriqueiras e acabamos nos acostumando a conviver com o que não podemos solucionar definitivamente ou ter paciência com o que realmente é de difícil solução.

A verdade é que evoluímos, nos tornamos mais serenos pra não enlouquecermos. Claro que sempre há as exceções. Tem gente que fica cada vez mais rabugenta, preferindo o ódio e a intolerância desenfreada com quem convive diariamente (ou mesmo ocasionalmente) a algo mais tranquilo pra si mesmo e a outros, o que acaba fazendo mal a todos. Acho que todos temos exemplos dos dois casos. Pessoalmente, prefiro tentar me enquadrar ao primeiro grupo, mas isso, na verdade, quem pode dizer são as pessoas que me conhecem. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Reload: Novos e inusitados "15 minutos de fama"

Antigo = Inútil. Será?
Engraçado como as pessoas podem encarar de diferentes maneiras os altos e baixos inerentes às mais diferentes carreiras, sobretudo as, ditas, "artísticas" (que envolvem coisas tão variadas quanto telenovelas, esportes, apresentação de programas televisivos ou até mesmo socialites, conceito que até hoje não compreendo bem). Reflito sobre isso porque lembrei de uma campanha publicitária relativamente recente (e constante) que ressuscita diferentes personalidades de outrora que se perderam no labirinto de nossas memórias já há algum tempo, muitos deles, sequer lembrávamos da existência.

O curioso é que a participação dos tais ex-famosos nos curtos filmes de divulgação do produto/serviço oferecido pela empresa em questão acabam usando (talvez, mesmo sem perceber) do humor negro onde os diferentes protagonistas acabam se autorridicularizando (é assim mesmo que escreve?), colocando-se como algo nebuloso que faz parte do passado de todos nós direta ou indiretamente e hoje não faz sentido algum pra gente, a ponto de desejarmos que a mais remota lembrança disso desapareça de uma vez por todas de nossa memória.


O interessante é que essa autorridicularização acabou trazendo à tona essas “artistas” que sequer sabíamos se ainda respiravam (algumas vezes, a bem da verdade, pouco nos importávamos. Calma. Brincadeira...) e, de uma forma, no mínimo, bem estranha acabaram voltando aos holofotes, Deus sabe por quanto tempo mais, até serem esquecidos novamente. Resta esperar que ele agarrem seus novos 15 minutos de fama com toda força e, quem sabe, aproveitem pra se reinventar afim de mostrar seu valor para não serem esquecidos novamente, pois é bem provável que uma nova chance como esta demore bastante pra aparecer. Não é porque está velho ou esquecido que não tem valor algum. A volta do vinil tá aí pra provar isso. Resumindo: Não é porque é velho que um livro não possa trazer algo de novo (às vezes, útil) pra uma nova geração. Nem que seja pra aprender com os erros.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Estranhos Imperfeitos

Aqui não há herói ou vilão
Mocinho ou bandido
Isso é coisa de ficção
Mas não é exclusivo
Desse tipo de livro.

Na vida real
Só gente “normal”
Com qualidades e defeitos
Sempre estranhos e imperfeitos.

Aqui ninguém entende ninguém
Cada um com sua própria opinião
E todos achando que estão sempre certos.

Com os dois olhos bem abertos
Ambos cegos pra qualquer coisa além
Dos domínios do próprio coração.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Violência: Uma constante na história da humanidade

Pinturas rupestres já retratavam
guerras entre tribos
A violência é um instinto natural do ser humano, desde o surgimento dessa espécie específica na terra, quando ainda vivíamos em cavernas. Já dizia o pensador inglês Thomas Hobbes (1588-1679) que, em seu “Estado de Natureza”, “o homem é o lobo do homem”, e, mesmo que não haja batalha, a guerra está latente em seu íntimo, e pode acontecer a qualquer momento, mesmo que sem nenhuma razão aparente. 

É como se os egos estivessem em constante rota de colisão e fôssemos feitos pra não nos entendermos (nem vivermos em paz). Basta observar alguns restos mortais mais antigos de homens que viveram há mais de 10 mil anos, alguns mortos a pedradas ou golpes de tacapes ou objetos pontiagudos em seus crânios ou ainda as pinturas rupestres tão antigas quanto. Logo que começaram a registrar de alguma forma seu cotidiano, havia caça, pesca, e as guerras, que implica em violência. Por território? Pela sobrevivência? Tanto faz, o que importa é que a violência existe desde sempre e ao longo do tempo só os motivos vão mudando.

Plateia se diverte com violência na arena, em cena
da telessérie "Spartacus"
Na Antiguidade, grande parte da violência foi despendida em guerras por território, culminando no expansionismo romano, que resultou em muitos prisioneiros de territórios conquistados, mudando muito o quadro, fazendo com que o ser humano finalmente revelasse sua verdadeira “simpatia” pela violência, que por vezes acabou tornando-se o centro do espetáculo, entretenimento puro, o centro das atenções na conhecida política do “pão e circo”, onde pobres escravos e prisioneiros de guerra eram obrigados a tornarem-se gladiadores e lutarem até a morte com seus iguais ou mesmo feras famintas, como tigres e leões. Era a “violência pela violência” e as pessoas se divertiam com isso. A própria morte de Jesus de forma violenta foi um grande espetáculo exigido pelo próprio povo que ele tanto defendia. Ou você pensa diferente? Daí tivemos uma grande evolução na arte da guerra e de infligir dor e desespero em outro ser humano de formas antes inimagináveis. É a tortura, cuja ausência implicava na (absurda) não aceitação de uma confissão de quem quer que fosse por qualquer que fosse o crime a que estivesse atribuindo a si mesmo a autoria pela lei romana. Como as coisas mudam, não? 

Entre muitas e intrincadas curvas pelo caminho da violência (passando pela escravidão negra) chegamos ao ápice da brutalidade contra outro ser humano: o "Nazismo", onde, simplesmente por serem diferentes, pessoas eram obrigadas a viver em situação pior que animais, eram frequentemente torturadas, sujeitas à experiências médicas bizarras, passavam fome e eram assassinados aos montes. Não vou falar de tudo e todos que fizeram coisas horríveis ao longo de toda a história da humanidade, até porque são tantos e o espaço é tão curto e até mesmo o conhecimento deste que escreve. 

MMA é uma espécie de retorno 
ao Coliseu Romano
Meu intuito mesmo é chegar aos dias atuais, do “politicamente correto”, onde tanto se defende o fim da violência em espetáculos eminentemente de entretenimento, sobretudo esportes (MMA), filmes (300) e séries de tevê (Spartacus), quando sempre que as pessoas passam por um acidente de trânsito e não resistem a dar aquela olhada direta no centro do furacão pra saber se alguém morreu, principalmente, ver o estado que a pessoa ficou. Você já se perguntou por que? E os esportes violentos de hoje? Será que não são apenas uma reimaginação do antigo Coliseu romano, com novos gladiadores, que lutam de forma violenta, algumas (poucas) vezes terminando até em morte, como outrora? E os filmes violentos, por vezes tão divertidos (que o diga Quentin Tarantino) será que não existem apenas pra saciar a sede de um público ávido por sangue?

Pulp Fiction: Quentin Tarantino domina a violência,
tornando-a divertida e repleta de humor negro
Poderíamos passar anos e anos discutindo sobre o assunto, mas o que continua valendo é que as pessoas gostam disso desde sempre e buscam não apenas em esportes e obras de ficção, mas também na vida real. Ou você nunca reparou que há um aumento substancial da audiência quando acontecem grandes tragédias? Uns podem dizer que é pela grande comoção social. Este escrevinhador, por outro lado, acredita que é pela possibilidade de ver cenas violentas diferentes das que estamos tão acostumados a ver no dia-a-dia. Simplesmente pra sair do marasmo... A vida é violenta, quer queiramos ou não e, infelizmente, esse legado é transmitido geração após geração e vai continuar sendo porque faz parte de nós, ainda que exista a classificação indicativa de idade (que acredito que deve existir, pois crianças são impressionáveis e isso pode refletir negativamente em sua formação), infelizmente estamos apenas adiando o inevitável, pois a "sede de sangue" é inerente à humanidade. O que não podemos é deixar que isso se reflita em nossas casas, com nossas famílias ou no trânsito, por exemplo. Já que ela é necessária, é melhor que fique apenas na ficção.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Leitura: Uma viagem sem sair do lugar

A palavra escrita é uma chave maravilhosa que abre as portas de vários mundos, sejam eles reais ou imaginários. Mundos infinitos, cujo único limite é a imaginação, não apenas de quem escreve, mas também do leitor, que participa ativamente na construção das imagens, lugares e ideias presentes em tudo que lemos. É como se o texto fosse apenas o "script" de um filme ou o esboço de um desenho, cujo acabamento é dado pelo leitor, que preenche as lacunas onde não há palavras ou há apenas subintenções sutis do autor (ou até mesmo seu desleixo com algum aspecto da história) usando sua própria experiência de vida, sua forma de pensar, enfim, usando um pouco de si mesmo o leitor acaba meio que "dirigindo" a história e criando sentidos próprios a tudo que lê.

Nos dias de hoje, num mundo cada vez mais audiovisual, aos poucos as pessoas vão deixando de lado o hábito da leitura formal, que a vista de muitos está ficando antiquada (que fique bem claro que não estou me excluindo desse grupo. Muito pelo contrário!). Queria aproveitar esse espaço exatamente pra gerar uma discussão sobre assunto. Pessoalmente adoro assistir filmes, série de tevê, peças de teatro, entre outras coisas. Considero formas válidas de cultura, entretenimento e até mesmo conhecimento/informação, mas, também pessoalmente, considero a leitura “pura” um prazer individual e um desafio muito maior que qualquer espetáculo, exatamente por esse domínio que o leitor tem sobre a obra, que além de lê-la, acaba complementando-a por sua "conta e risco".

Infelizmente a leitura demanda maior disponibilidade de tempo e força de vontade que outras obras artísticas, que já vem “mastigadas” e “embaladas” prontas para o consumo. A leitura é também um trabalho árduo, exige mais dedicação, mas o resultado final é uma experiência muito mais prazerosa, sobretudo quando lemos pela simples vontade de fazê-lo, sem obrigatoriedade alguma, seja o tipo de obra que for. Dar o primeiro passo é sempre a parte mais difícil, daí a importância de pais que incentivem o hábito (disponibilizando quadrinhos e livros infantis aos seus filhos desde bem novos) e também da exigência da leitura de obras paradidáticas nos currículos escolares e vestibulares e certo conhecimento das escolas literárias que permeiam a história da humanidade, como forma de compreender o pensamento de cada época e seus contexto, conhecendo melhor, a partir de então, a evolução histórica e social do nosso país e do mundo até culminar no que temos hoje. 

A partir desses primeiros "empurrõezinhos" é que começamos a pegar gosto pela leitura e, sem nem perceber devoramos livros e mais livros com uma fome voraz de conhecimento e entretenimento que começa a crescer dentro da gente, limitada apenas pela disponibilidade de tempo, pois as outras muitas obrigações e distrações também não param de crescer atualmente. Cabe a cada um de nós encaixar na nossa agenda esse tempinho só pra gente, que é tão bom e acaba nos engrandecendo muito como seres humanos. Pois quem gosta de ler por diversão, não tem tantos problemas pra estudar e absorver informações importantes nas mais variadas áreas de conhecimento da humanidade. 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Horizontes Expandidos

Outro dia, conversando com um amigo sobre outro colega que sequer tive a honra de conhecer, soube que essa pessoa teve a ousadia/coragem/loucura de dar uma guinada completa em sua vida, abandonando um emprego estável e com remuneração razoável em busca de realizar um sonho relativamente recente e (provavelmente) sem nenhuma garantia se daria certo ou não numa nova cidade em outro Estado. Ambos concordamos que ele agia de impulso e que se arrependeria em breve dessa atitude, que consideramos impensada e descabida.

Mudar de direção não precisa 
ser algo tão assustador
Conversando com outras pessoas sobre o assunto, vi outros lados da situação: “talvez ele estivesse insatisfeito com o trabalho que tinha” ou “queria mudar de cidade” ou “queria mudar de vida”. Essas foram algumas das frases que ouvi de quem discordavam da minha opinião sobre o assunto. A partir delas tentei enxergar o outro lado da situação, vi que também pode ser bom sair de uma situação que se considera um marasmo desestimulante para uma nova vida que mesmo que há pouco tempo, acredita-se, ser o melhor para si.

Quero deixar claro que minha opinião sobre o assunto não mudou, apenas se expandiu, ampliei meus horizontes. Hoje avalio apenas que se for para fazer algo do tipo, deve-se fazer de forma pensada, e a longo prazo. Devemos nos preparar, principalmente financeiramente para tal empreitada, pois seria realmente uma loucura correr atrás de todo sonho fugaz que possa passar pela nossa cabeça e mudar o tempo todo. Mas, caso estejamos preparados e saibamos, ainda que de forma remota, onde estamos nos metendo, não há motivo para críticas a atitudes desse tipo. Pelo contrário. Pode até mesmo ser o melhor a fazer. Essa nova reflexão serviu até mesmo pra avaliar minhas próprias atitudes e metas. Tudo isso a partir de simples conversas sem grandes pretensões. 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Caleidoscópico Destino

A vida é o aqui e o agora
Mas também o ontem e o amanhã
Como estradas que se perpassam
E entrelaçam o tempo todo.

Passado, presente e futuro
Ao mesmo tempo no mesmo lugar
Se refletindo e se modificando
Como um caleidoscópio de destinos.

O que você faz hoje
Complementa e desconstrói o que já foi
E preludia o que ainda virá
Criando eternamente novos caminhos
A serem trilhados por guias perdidos.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A vida é tão boa quanto você está disposto encará-la

Os bons momentos da vida são raros e, por isso mesmo, valiosos. Não que eu esteja querendo bancar o otimista, muito pelo contrário. É que se a gente não pensar dessa forma, fica difícil até mesmo mantermos a sanidade. Se a cada percalço da vida, cada pequeno problema que tropeçamos formos ficar pra baixo, e “entregarmos os pontos”, pensando que fomos derrotados e não tem mais jeito, nada que venha de bom vai conseguir passar por cima das experiências ruins que vivemos.

Pedras no caminho sempre haverão
Remoer coisas ruins não nos deixa seguir em frente. É uma espécie de âncora acorrentada ao nosso calcanhar que nos mantém no fundo de um mar de fantasmas, que são nossos problemas, e às vezes nos acostumamos com isso, e deixando de ver a beleza da vida nas pequenas coisas. No sorriso de uma criança, num belo dia de sol, naquela graduação que tanto lutamos pra terminar, em cada pequena ou grande conquista do dia-a-dia. 

A vida é uma estrada sem ladrilhos amarelos e salpicada de pedras enormes por toda sua extensão. Cabe a cada um de nós se deixar abater no primeira delas e desistir "de cara" ou tentar e tentar e, quem sabe tirar, cada pedra que nos impede de seguir em frente, ou ainda mudar de ideia e de direção, sem nunca deixar de seguir em frente. O importante é nunca deixar a “peteca cair”, encarando cada problema de frente, refletindo e tirando para si alguma coisa de boa diante de cada situação, seja ela qual for.

Às vezes uma “ideia fixa” também pode ser uma prisão e é nessas horas que devemos mudar de rumo, quando nada está dando certo. Essa é a hora de mudar e, quem sabe, até criar um caminho completamente novo a ser percorrido, mas sem nunca parar, até que, finalmente, chegamos onde todos, inevitavelmente, chegam. O fim da estrada, de onde ninguém nunca voltou pra contar (pelo menos, não cientificamente comprovado), mas quando esse longo percurso é bem trilhado, os que ficam vivem pra segui-lo e contar e recontar sua história e a de quem veio antes e lhe serviu e continua servindo como guia.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

No campo minado das palavras

Escrever é, acima de tudo, um ato de coragem. Às vezes as pessoas não se dão conta do quanto expõem a si mesmos de forma íntima, se despem no momento da escrita. Na frente do leitor acabam deixando transparecer o que são em essência. Pensam que escrevem apenas pra si, mas na verdade, expõem suas vivências, pensamentos, formação intelectual e social, sentimentos, ingenuidade, arrogância, preconceitos, sem nem se dar conta disso.

Num simples parágrafo dizemos muito mais nas entrelinhas que as próprias palavras seriam capazes de dizer em um livro inteiro. Nos erros ortográficos, na formação das ideias e na própria linha de raciocínio seguida. Poucas palavras podem ser o início ou o fim de uma relação de eterna fidelidade entre autor e leitor ou mesmo de ódio à primeira vista, a ponto de o simples ressoar do nome do autor em qualquer ocasião já gerar um sentimento de ojeriza por parte do leitor, que irá difamá-lo como escrevinhador (provavelmente pelo resto de seus dias), sem mesmo dar uma chance a qualquer outra coisa que ele tenha escrito.

Mesmas palavras em diferentes contextos dizem coisas diferentes 
Isso não é privilégio do escritor. Tendemos a guardar em um lugar especial de nossa memória mais as vivências ruins que as agradáveis. É como se o que é bom “passasse batido” na maioria das vezes, enquanto o que é ruim fosse catado como “escolhas de feijão” ruim, que, por não serem tantos em comparação ao todo, acaba ficando mais fácil de observar seus detalhes, como cor, tamanho, formato, etc. O mesmo acontece quando somos mal atendidos em uma loja, por exemplo, de cara, e meio que inconscientemente, começamos a desestimular as pessoas de nossos círculos de convivência a irem ao local, quando o contrário dificilmente acontece se formos bem atendidos.

É como se fosse (e na verdade é mesmo) obrigação do estabelecimento atender bem seus clientes. Assim também o é com quem escreve. O escritor deve escrever bem, corretamente, com encadeamento lógico das ideias, trabalhando bem o conteúdo, entre outras coisas. Está nas entrelinhas do "contrato de leitura" que fazemos com com qualquer pessoas que se proponha a ler o que escrevemos e quando não fazemos isso, quebramos essa expectativa no leitor e acabamos nos tornando como aquela loja que comentei acima, que alega no comercial na televisão que tem um ótimo atendimento e produtos de qualidade, mas não cumpre a promessa quando o cliente vai lá.

Querendo ou não é escrevendo que mostramos nossos medos, preocupações, fragilidades, desconfianças, entre outras muitas coisas. Na escrita mostramos quem somos e a que viemos. Mesmo quando alguém "retwitta" ou "curte" ou "compartilha" com seus “amigos virtuais” textos que considera interessantes por qualquer motivo. Aquela mensagem diz muito sobre você, sobretudo pra quem te conhece há muito tempo. Pra eles não adianta fingir. O que você escreve ou compartilha manda uma mensagem que ultrapassa em muito o limiar da sua intenção. Se você é uma pessoa covarde e insensível, não adianta compartilhar mensagens de paz e amor e compreensão. Quem te conhece (ou “segue”) sabe exatamente o que você é e vai vê-la como uma contradição. Assim também é com quem escreve. Se você mentir, simular qualquer coisa, cedo ou tarde acaba tropeçando nas palavras ou ideias e mostrando, sem querer, camada a camada quem você realmente é o que quer dizer de verdade. 

Não estou aqui defendendo que você precisa ter medo na hora de escrever, muito menos é minha intenção desencorajá-lo de colocar no papel o que pensa. Apenas alertá-lo que se você se propuser a fazer, saiba o que isso representa, fique atento e assuma os riscos. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Ode torto ao torto poeta suicida

Na noite em que o poeta se matou
Deve ter chovido
Formando um rio das lágrimas
Que o outro poeta derramou.

“A louca voz da razão se calou”,
Digo eu comigo.
Poucas palavras que me rendem páginas
Sobre quem se foi por que em demais amou.

Mais uma verdade se calou
Numa noite que deve ter chovido
Mas já não valem tuas lágrimas,
Já que se foi aquele que te amou.

Como outros, meu “quase-conterrâneo” poeta se matou
E só agora quis conversar comigo
Por meio de suas não tão poucas páginas
Onde música e simples poesia derramou.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Lugares e lembranças

Passear por locais que permeiam as lembranças de nossa infância e adolescência é como uma viagem temporal sem ter que pagar passagem. Principalmente quando estamos longe há muito tempo, como é o meu caso. Nasci e me criei em Fortaleza, terra de meus pais, onde ainda hoje moram minhas queridas avós, de onde saí há muitos anos, quando ainda era um adolescente, devido a uma ótima oportunidade de trabalho que meu pai recebeu.
Uma das muitas belas e ensolaradas praias da cidade
Lá cresci junto com meus primos, entre a casa de meus pais e a de minha avó materna, que na verdade era eram a extensão uma da outra, pois eram bem próximas e todos ficávamos lá tanto ou mais tempo que em nossas próprias casas. Só pra se ter uma ideia, até hoje lá tem uma plaquinha na entrada onde escrito: “Casa de Vó, Paraíso dos Netos!”, o que vem bem a calhar, só acrescentaria um “...e Bisnetos” pra ficar mais completo nos dias de hoje. 

Tudo agora está tão diferente, mas ao mesmo tempo tão igual. Pelo menos o que foi importante continua lá. As lembranças dos bons e maus momentos que passei. A rua do primeiro beijo, a pracinha onde a gente jogava bola nos finais de tarde e início da noite (sempre antes das dez, claro!), os locais onde ganhamos nossos primeiros olhos roxos, entre outras coisas. Foi um tempo que ficou pra trás, mas todos carregamos no peito em nossas doces lembranças, hoje embaçadas pelo tempo.

Meus primos mais velhos, eu mais velho, nossos filhos interagindo como acontecia diariamente no nosso tempo. É quase um “Déjà Vu”. Cenas tão similares, pessoas tão parecidas com o que éramos com a mesma época de nossas vidas. Espero todos que sejam melhores do que somos quando tiverem a idade que temos hoje, que estudem mais, que façam escolhas melhores, que sejam mais felizes. Não que não sejamos felizes, mas meu desejo é mais felicidades a eles.

As memórias felizes podem até ficar meio nubladas pelo tempo ou mesmo nem terem acontecido da forma que me lembro, mas mesmo assim revisitá-las dá causa a uma sensação ótima. De quem já tem uns bons anos nas costas e muitos ainda pra viver. Muitas histórias encerradas, mas também muitas outras ainda (sejam elas tristes ou alegres) por escrever.

Ir à Fortaleza pra mim é como reler um querido livro há tanto tempo fechado, com tantas passagens inesquecíveis, algumas lamentáveis, não posso negar. O tempo passou, pessoas nasceram e morreram, chegaram e partiram, mas a emoção é sempre a mesma. Nunca muda. É como se a própria cidade fosse minha amiga que há muito tempo não vejo e nem mesmo sabia que tinha tanta vontade de abraçar novamente. Mal disse adeus novamente e já estou com saudade.

Até a próxima. 
Tomara que seja logo. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Para Mudar o Mundo

As pessoas são complicadas. Isso ninguém pode negar. É como se cada um de nós fosse um universo complexo, ou uma máquina cheia de engrenagens, ou ainda um meio ambiente em harmonia onde a mínima interferência externa pode causar grandes catástrofes ambientais, quem sabe até a extinção de várias espécies. Imagine então quando esses mundos tão diferentes entram em rota de colisão? Basta observar a forma como a ficção vem imaginando que seriam nossos encontros com representantes de outras raças alienígenas. Sempre, de uma forma ou de outra, acaba em catástrofe.

Com as pessoas acontece algo parecido. Se ninguém estiver disposto a um mínimo de esforço pra conversa em buscar a compreensão, ceder um pouco aqui pra ganhar um pouco ali, fica insuportável a vida a dois, a três, a quantos forem seus familiares, amigos, colegas de trabalho, de estudo, etc. À primeira vista, pode até parecer até que estou falando de política. Não é sobre isso, mas também pode ser aplicado ao caso.

Na política, as pessoas são obrigadas a conviver de forma mais ou menos harmônica. Pessoas de diferentes partidos, crenças religiosos, convicções políticas, enfim, compreensões de mundo têm que resolver suas diferenças por meio do debate, que deve ser salutar. Na vida em sociedade, ou mesmo afetiva, também somos obrigados (muitas vezes contra nossa vontade) a isso. Convivemos num mesmo e perigoso terreno que é subdivido em pequenos lotes, que aos poucos vão sendo somados a outros ou divididos e quando algum incauto invade sem avisar, a confusão é grande, algumas vezes terminando, literalmente, em Guerra, quando todos os lados acreditam que não há mais nada a dizer. 


O segredo não está em nenhuma religião ou livro de auto-ajuda. Se cada um de nós não tiver intimamente essa paz de espírito e vontade de conviver harmonicamente com as outras pessoas, nada disso adianta. Pra quê ir à igreja se quando chego em casa faço o inferno na terra com meus vizinhos e familiares? De que adianta? Tanta gente que na própria morada de seu deus está mais preocupado em saber se a pessoa que está na sua frente está bem vestida ou com boa aparência do que com o que pode ser a causa disso e se pode de alguma forma ajuda-la a superar seus problemas.

E os livros de auto-ajuda? São tantos e a grande maioria é tão egocêntrica, preocupando-se apenas com o bem-estar individual de seu leitor, quando na verdade todos estamos inseridos num contexto que deve sim ser considerado para a solução de nossos problemas e, por tabela, das pessoas próximas a nós. Não aquela coisa empresarial, onde o que mais interessa mesmo é encher o próprio bolso e o bem-estar da empresa. O funcionário deve mesmo é se enquadrar nesses preceitos ou será amputado daquele ambiente, como um membro ruim.

A questão é muito mais interna. É tudo uma questão de compreensão e esforço pela convivência pacífica e harmoniosa com as outras pessoas. A partir daí até mesmo guerras podem ser evitadas, imagine uma pequena confusão familiar ou com seu vizinho que está reclamando do som alto que atrapalha o sono de seu pai idoso? Tentar se colocar no lugar do outro seria já seria um bom começo.

Clique e confira a canção "Dia Especial", por Pouca Vogal, cuja letra é uma reflexão sobre o assunto tratado nesse texto. Você não vai se arrepender.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Tamanho do Problema de Cada Um

Outro dia, conversei com um amigo meu sobre um certo problema seu que, de certa forma, acabou, ainda que de forma indireta, me envolvendo um pouco. Vendo a situação “de fora” tentei colocar um pouco de meu ponto de vista sobre o assunto, analisando, que de certa forma, o problema já estava se resolvendo bem na sua frente e que ele ainda não tinha percebido.

Todos têm soluções pros problemas dos outros

Ele, por sua vez, me surpreendeu, colocando sua visão sobre um outro problema, que, por acaso era meu, e que ele também havia pensado sobre e achava que seria muito mais fácil de resolver do que eu acreditava que fosse naquele momento. Eu, por outro lado, continuava (e ainda hoje continuo) achando que se trata de um dilema muito mais complicado do que ele queria me fazer acreditar que era.

A conversa foi até curta, mas me fez chegar a algumas conclusões sobre os relacionamentos humanos: 1.) Todos nós temos soluções simples eficazes para os problemas dos outros, que não fazemos parte diretamente; 2.) Ninguém consegue solucionar seus próprios problemas (que são os que realmente interessam!) de forma tão fácil quanto imagina que conseguiria ajudar os outros a solucionarem os seus.

Na dúvida, fica valendo aquela boa e velha máxima do tempo de nossos avós (pelo menos, dos meus) que vão passando de geração em geração quase que de forma inalterada e que aqui vou colocando como a conclusão de n° 3 e também a mais importante: “Olha pro teu Rabo, Macaco”Traduzindo: "Se preocupa em resolver os seus problemas primeiro, que é muito melhor pra todo mundo".

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O que nos prende?

Criamos nossas próprias grades: 
Temos que fazer valer a pena
Costumava pensar que não me prendo a coisas e lugares, mas apenas a pessoas. Mas, refletindo sobre o assunto recentemente e, apesar de ainda ser verdade que me prendo a pessoas, observei que essa não é toda a verdade. Percebi que também me prendo a coisas, sobretudo as não-palpáveis, intangíveis.

Me prendendo a elas, vi que não importa o lugar, não importa se estamos sozinhos ou com alguém que não é exatamente aquela pessoa que queríamos estar, conseguimos viajar na velocidade do pensamento estar naquele momento até quem queremos estar perto, ou já quisemos algum dia, especificamente no dia que “aquela canção” específica nos faz lembrar. Tem vez que nem é a que mais gostamos, mas acabou se tornando interessante por, somado a várias outras experiências porque passamos em nossas vidas e à nossa memória afetiva, acabou se tornando marcante.

Há alguns anos comentei com meu irmão mais novo que gostava muito da canção “O Mundo Anda tão Complicado”, da Legião Urbana, dizendo o quanto a letra era bonita e ele, de cara, disse que era muito boba (o que não deixa de ser verdade, de certa forma), pois apenas falava da rotina de um casal que há pouco começara a morar junto e para quem não vive ou não está prestes a vivenciar situação parecida (como era o caso dele, à época de nossa conversa), acaba realmente desinteressante e até chato.

Nossos pontos de vista eram bem distantes um do outro porque vivenciávamos momentos diferentes de nossas vidas. Eu, namorando já há alguns anos, na iminência de viver pessoalmente tudo aquilo tratado na canção. Ele, cinco anos mais jovem, não se ligava em nada daquilo e achava tudo uma grande bobagem, àquela altura de sua vida.

Hoje, distantes, há algum tempo não conversamos sobre coisas desse tipo para relembrar daquela conversa que tivemos em um dia perdido de nossas vidas. Talvez, hoje, tenhamos pontos de vista mais afinados um com o outro, já que ele já vive algo semelhante ao que ainda vivo atualmente. 

Algo como uma canção nos faz viver e reviver momentos marcantes de nossas vidas. Por isso hoje admito que me prendo sim a coisas, principalmente a canções, que me levam à pessoas, lugares e até mesmo outras coisas que desejamos ter por perto.

Confira abaixo a letra da canção e veja se também te marca te alguma forma:


O mundo anda tão complicado
(Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá)

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperto o passo por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você.

Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
Que a mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som

Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço

Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir!
Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você

Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança de seu mundo
Por amor.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Aliados

Nunca estou contra ninguém,
Mas estou sempre a meu favor
Como todos sempre estão,
Mas poucos têm coragem de dizer

Sou meu único verdadeiro aliado
E me defendo como tal,
Ainda que, às vezes, ficando calado
Mas sempre me afastando de todo mal

Olho pros lados e vejo coisas iguais
E pessoas iguais ao que eu não quero ser
Estão longe demais
De tudo que se pode perceber

Pois todos vivem na mentira
De que está tudo bem
E não precisam ir além
Não querem sair dessa ilha

Preferem viver na ilusão
De que tudo conspira a favor
E que o mundo se resume a uma equação
Maniqueística: Ódio x Amor.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sobre amor e chuva

- Será que vai chover? 
Foi assim que João, meu amigo desde a infância, abordou pela primeira vez Cristina para uma conversa numa tarde de muito calor em que todos nós, muito jovens na época, estávamos com os hormônios em ebulição em busca do mínimo de atenção do sexo oposto.

- Mas que papinho mais manjado!
Pensei eu comigo mesmo a respeito do assédio, se é que assim poderia se chamar, de João a Cris. Mas, a tarde foi passando e João começou a engrenar em papo mais interessante e, não é que ele conseguiu? A Cris ficou caidinha com o papo-cabeça que o cara jogou e, ao final daquela tarde eles estavam namorando. E, o pior não é isso! O pior é que durou. Os dois estão juntos até hoje. Casaram, tiveram filhos. Só não digo que foram felizes para sempre por que esse negócio até criança sabe que não existe.Teve uma época que eles se separaram. Eu soube que o ele andou “pulado a cerca” e a Cris ficou uma arara com ele por um tempo, mas eles logo conseguiram superar essa barra e outras tantas que vieram antes e depois disso e estão juntos até hoje.

E agora estou eu aqui com um pouco (muito!) mais de quarenta, cheio de cabelos brancos numa cama de hospital com uma doença sem cura que pode me matar a qualquer momento. Olho pra mim e minha vida cheia de “amassos”, cheia de gatinhas, cheia de curtição, mas sem esposa, sem filhos, sem legado. Sem um mínimo de “papo” com o sexo oposto desde a minha adolescência até hoje. Então, olhando pra minha vida e para a de meu amigo João (que é a única pessoa que me visita atualmente no hospital), vejo quem teve sorte e quem não teve, quem soube aproveitar a vida e suas oportunidades e quem não soube e fico pensando: 
-Que falta faz uma “conversinha manjada” de vez em quando, pois ela pode gerar felicidade para o resto da vida.

E eu sempre querendo ser o mais original em tudo que fazia. Queria eu ter tido a mesma coragem meu amigo teve de chegar em uma garota que realmente valesse a pena e perguntar: 
-Será que vai chover?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Pequeno Conto de Verão

Estávamos no verão daquele ano. Parecia o verão mais quente que Deus poderia conceber. Uma menina de olhos e cabelos cor-de-mel, com mais ou menos oito anos brincava à tardinha no balanço de um parque da cidade acompanhada de uma coleguinha sua que estava no balanço ao lado e balançava-se em alta velocidade.

A criança de cabelos cor-de-mel fechou seus olhos por alguns instantes e, quando os abriu, tudo parecia diferente. O que era parque tornou-se um quarto de chácara e o que era multidão tonou-se apenas a própria criança. Ela olhou para o lado e viu que se enganara, pois não estava só naquele estranho lugar. Havia uma linda moça loira vestida de noiva e com as mãos sobre o ventre, que com os olhos cheios de lágrimas disse:

- Por favor, me ajude. Eu acabei de casar e, na noite de núpcias meu marido teve uma crise de ciúmes, disparou uma arma de fogo contra mim e depois se matou. Disse, dando um papelote com o endereço de uma chácara localizada nos arredores da cidade.

A criança viu então o sangue correr do abdômen da vítima, sujando suas mãos e fazendo uma pequena poça no chão. Então, por ter visto na televisão pessoas ajudando os outros com a respiração boca-a-boca, pôs-se a tentar do seu jeito desajeitado fazer a moça voltar à respirar. Então, tudo mudou novamente e o sangue que empoçava o chão do quarto, agora empoçava a grama. Logo ela percebeu que estava de volta ao parque aparentemente beijando sua coleguinha que tinha caído do balanço ao lado e esfolado o joelho em uma pedra que estava no gramado.

Todos olhavam para a pobre criança com olhares de afiada reprovação, dizendo:

- Tão pequena, e já pensa nessas safadezas.
- E o pior. Com outra menina!
- Isso deve ser por que ela viu na televisão.
- Isso é coisa do Demo.

A criança tentou se explicar mostrando o bilhete e de todas as formas mais que pôde pensar, mas todos insistiam em não entender, achando que ela tinha um sério problema e que devia ser tratada. Quando o assunto chegou aos ouvidos dos pais, logo a encaminharam para um médico e ela sempre insistia em exibir o bilhete, o que irritou seu pai, que logo o arrancou da mão de sua filha com violência e o depositou no bolso. O médico, querendo se mostrar o dono da razão, já foi logo dizendo:

- Este caso é grave. Precisamos de fortes medicações e de um período de internação.

Um dia e muitos calmantes depois do "incidente", apareceu no noticiário televisivo e em todos os jornais impressos da cidade a notícia da morte de uma bela jovem loira vestida de noiva e de seu marido acompanhada da suspeita de que, se a moça tivesse sido socorrida à tempo, ela teria grandes chances de sobreviver. O pai, então, lembrou-se do bilhete que no dia anterior havia tomado da filha e observou que o endereço escrito no bilhete batia com o do crime.

A criança, ainda meio anestesiada pela medicação, inocentemente, disse:
- Eu não disse, papai? Se o senhor tivesse me escutado, a moça teria sobrevivido.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Reavaliar é preciso (sempre)

O que realmente é um ano novo pra você? Copiar e colar mensagens de motivação e esperança  e publicar nas várias redes sociais que estão disponíveis por aí  pra todos os seus amigos ( e até pessoas que nem conhece) possam ver? Fazer promessas de que tudo vai ser diferente e refazer tudo igual novamente? Ver a passagem do ano com a cara cheia, totalmente fora de si esperando que tudo mude magicamente?


Na verdade o fim de um ano e início de outro, não passa pura e simplesmente uma convenção humana. É bem verdade que a terra dá mais uma volta em torno do sol... mas qual o ponto de referência mesmo? Hoje ou qualquer outro dia pode ser considerado o primeiro dia e daqui a 365 dias mais algumas horas e minutos, podemos considerar que a terra deu uma volta ao redor do sol, e assim por diante, indefinidamente...

Não quero dizer que não seja importante reavaliar o que fazemos e pensar nos próximos passos que serão dados, mas isso pode ser feito a qualquer momento, no final de cada dia, no final de uma semana de trabalho. Numa data que você considere especial ou num dia convencionado como o último do ano ou início do seguinte. O que quero dizer é que tanto faz... Importante mesmo é pensar e repensar. Ver a vida como algo que segue em frente e se esforçar ao máximo para que ajam mudanças, de preferência, pra melhor. 

Situações complicadas sempre vão existir e fazem parte de nosso aprendizado para nos tornarmos seres humanos melhores (ou piores). Vai de cada um. Tudo depende da visão que cada um tem de mundo e do que realmente acha que é fazer o melhor pra si e pros outros. 

Primeiras Palavras

Olá, amigo leitor/internauta. Me chamo Tarcisio, sou jornalista e me atrevi a ser o responsável por este blog. Nesta primeira postagem gostaria de apresentar um pouco do que disponibilizarei neste espaço, que pretendo, literário. Pra começar, não tenho formação específica em Letras ou coisa parecida, mas leio e escrevo poesias, crônicas e contos entre outras formas de expressão escrita variadas que nem sempre sei como classificar (ou se cabe alguma classificação) desde a minha adolescência e de agora em diante esta página na web deve se tornar o destino deste material (pelo menos do que for relevante) que até então ficara registrado apenas em velhos cadernos que tenho e guardo com tanto carinho.

Meus escritos não são profissionais, antes são instintivos e não pretendo aqui apenas escrever, como quem produz um livro, trancado em seu próprio mundinho, sem estar aberto a qualquer interferência externa. Quero que o leitor seja uma parte integrante e participativa na feitura e manutenção desse espaço, participando com a sugestão de temas, críticas e até elogios (quem sabe?). Espero realmente que este se torne um local agradável e possa se tornar um espaço aconchegante à quem deseja ler algo que, pelo menos eu, considero interessante. Espero que você também. 

Um grande abraço e espero que nos tornemos amigos nas palavras.

P.S. Ah. Pra começar vou repostar aqui um texto que escrevi recentemente num antigo blog literário ao qual sou associado. 

Espero que goste.